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Marés da Alma: Quando a Infância Molda Nossa Sombra


Luna devant le rivage des mondes infinis

“Na costa dos mundos infinitos, as crianças se reúnem. O azul infinito permanece imóvel acima delas; perto delas, o fluxo inquieto ressoa. Na costa dos mundos infinitos, as crianças se reúnem com danças e gritos.” (Rabindranath Tagore, "Na Costa")


Imagine por um momento a pureza desta criança na praia. Suas mãos abertas não contêm ganância, seus olhos claros ainda não estão nublados pelo medo da perda. A própria morte é apenas uma palavra distante, uma onda indistinta no horizonte infinito. Neste inocente espaço de brincadeira, cada emoção é vivenciada plenamente, sem julgamento, sem a necessidade de escondê-la.


Então, a praia se enche de outras figuras. Vozes se elevam, suaves ou abruptas, tecendo uma teia invisível de expectativas, regras, "obrigações" e "proibições". Um pequeno gesto de exploração é repreendido por uma carranca. Uma emoção forte é sufocada por um "comporte-se". Um desejo inocente é tingido de rubor por um olhar de desaprovação.

Observe nossa jovem, vamos chamá-la de Luna. Seu coração, antes um oceano de liberdade de expressão, começa a sentir as marés recuarem, deixando para trás bancos de areia ásperos. A alegria exuberante, tão natural, é recebida com um "chega". A raiva pela injustiça é recebida com um silêncio gélido. A curiosidade avassaladora é recebida com um "não toque, é sujo".


Cada vez que uma parte dela, autêntica e espontânea, é recebida com constrangimento, desaprovação ou até mesmo zombaria, uma pequena rachadura se forma em seu ser. Para manter o amor e a aprovação daqueles ao seu redor, Luna inconscientemente aprende a retrair esses aspectos de si mesma. Essas partes reprimidas não desaparecem. Elas se refugiam nas sombras, esperando o momento certo, mas continuam a influenciar suas ações, suas reações e seus relacionamentos.


Essa vergonha, essa dolorosa sensação de ser fundamentalmente inadequado em sua expressão, torna-se uma semente poderosa para a formação de sua sombra junguiana. Esses aspectos rejeitados – sua raiva, sua alegria sem limites, sua curiosidade insaciável – não são aniquilados. Tornam-se os habitantes silenciosos de seu mundo interior, às vezes se manifestando de maneiras tortuosas, por meio de medos inexplicáveis, reações exageradas ou uma sensação difusa de não ser "suficiente".


Com o passar dos anos, Luna carrega essa sombra sem saber. Ela se pergunta por que certas situações a deixam desconfortável, por que reage tão fortemente a certas características dos outros. Esses "gatilhos" costumam ser ecos das partes de si mesma que ela teve que enterrar tão profundamente.


Mas o caminho da vida é um ciclo, uma espiral. Um dia, uma curiosidade gentil a leva a explorar os mapas do seu próprio céu interior. Ela descobre ritmos ancestrais, configurações que falam dos seus desafios, dos seus dons ocultos e também daquelas áreas obscuras que precisam ser iluminadas. É como se uma língua antiga, há muito esquecida, começasse a sussurrar verdades familiares.


Guiada por uma mão gentil e perspicaz, Luna aprende a reconhecer os contornos de sua sombra. Ela não tenta lutar contra ela, negá-la. Em vez disso, aprende a ouvi-la, com a mesma curiosidade que tinha quando criança na praia. Ela percebe que essas partes rejeitadas não são monstros, mas aspectos de si mesma que não foram acolhidos, que foram feridos.


Gradualmente, Luna começa a reintegrar esses fragmentos exilados. É um processo delicado, às vezes desconfortável, mas profundamente libertador. Ela descobre que essa raiva reprimida era, na verdade, uma força protetora, uma afirmação de seus limites. Sua alegria reprimida se revela uma fonte de criatividade e entusiasmo. Sua curiosidade, antes considerada "ruim", transforma-se em sede de aprender e compreender o mundo.


À medida que explora seu mundo interior, Luna sente um novo poder emergir dentro de si. Não é uma força bruta, mas uma força gentil e confiante, nascida da aceitação de sua totalidade. Ela não está mais fragmentada, mas unificada. Ela dança com suas próprias marés interiores, sabendo que até as sombras têm sua própria beleza, sua própria sabedoria.


A primavera volta todos os anos, não é mesmo? A natureza se desdobra em todo o seu esplendor, aceitando cada folha, cada flor, mesmo aquelas que parecem diferentes. E se você também se permitisse essa mesma aceitação de si mesmo? Talvez seja hora, delicadamente, de voltar seu olhar para aquelas partes de você que sussurram nas sombras... Que riqueza você está esperando descobrir?

 
 
 

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A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT) é um modelo de psicologia clínica fundamentado nas ciências comportamentais. Seu foco é desenvolver a flexibilidade psicológica necessária para agir em harmonia com seus valores fundamentais, mesmo diante de desafios internos complexos.

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Membro da Association for Contextual Behavioral Science (ACBS). Estamos comprometidos com o avanço de uma ciência psicológica funcional, pautada em evidências científicas e nos padrões globais das terapias de terceira geração (Evidence-Based).

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